quarta-feira, 13 de abril de 2011

Esequias Caetano de Almeida: Uma Grande Família, Uma Saga

ESEQUIAS CAETANO DE ALMEIDA

Uma Grande Família - Uma Saga



A Fazenda Barreiro, cuja sede ainda inacabada foi adquirida por seu pai em 1904, foi o berço onde nasceu Esequias Caetano de Almeida, no dia 07 de abril de 1915. Ali viveu praticamente toda a sua vida! Apenas por uma curta temporada, tão logo se casou, em 1938, veio a residir na fazenda Bebedouro, também conhecida como “Invernada”, que foi sua primeira aquisição de terras, onde planejou crescer e constituir família. Porém, com o agravamento de saúde da mãe, Ernestina Maria da Cruz, que passou a exigir maiores cuidados devido a dificuldades de locomoção, retornou para a sede da fazenda Barreiro, de onde nunca mais se afastou.

O apelido de infância deu origem ao "Quias Caetano", nome pelo qual tornou-se muito conhecido em muitas regiões, inicialmente pela excepcional habilidade de lidar com cavalos e burros indomados, dos quais, segundo dizem, nunca caía e, também, pelo fato de que desde muito jovem exibia a destreza de um exímio atirador. Mais adiante, veio a fama de grande caçador que, paradoxalmente, defendia e preservava a fauna a todo custo, não permitindo, em nenhuma hipótese, a matança de animais silvestres. Seus cães de caça eram treinados para localizar e desamoitar a caça e, em seguida, acuá-los sem ferir. Em razão disto, muitas vezes era chamado para afugentar e correr com onças e lobos que atacavam bezerros e potros em fazendas de gado da região e de outras paragens.

Em sua maturidade, na condição de patriarca da numerosa prole de 17 filhos legítimos, com os quais interagia socialmente e orientava de maneira única, destacou-se também pela personalidade expansiva, alegre e sociável, sempre requisitado para eventos sociais e festas, além de ser um grande apreciador da música sertaneja tradicional.





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Em razão desse apego á arte da música sertaneja, tornara-se amigo pessoal de algumas dentre as mais destacadas duplas de cantores sertanejos das décadas de 1950, 60 e 70, às quais freqüentemente recebia na fazenda Barreiro, tanto em eventos festivos quanto nas temporadas de férias e descanso desses artistas.

Naquela época, quando o rádio era o único meio de propagação da música, assim como de quaisquer eventos sociais, culturais e artísticos, especialmente pelo interior do país, onde quase não havia espaços específicos para eventos, o circo era o palco de apresentações desses artistas. Assim, a programação de suas agendas era anunciada para os mais longínquos sertões por meio do rádio AM, nos programas apresentados ao vivo pela própria dupla ou por radialistas consagrados, tais como Nhô Zé, Zé Béttio, Clayton Aguiar, e outros.

Praião & Prainha, famosa dupla originária do interior de Goiás, ao longo de muitos anos, na década de 60, foram freqüentadores da fazenda Barreiro e amigos pessoais de Esequias Caetano. Da mesma forma, Silveira & Barrinha e, posteriormente, Silveira & Silveirinha, originários do triângulo mineiro, talvez as duas duplas de maior sucesso entre os anos 60 e 70, também foram grandes amigos de Esequias Caetano.

Especialmente Silveira, o Nivaldo Pedro da Silveira, um dos talentos vocais mais aplaudidos da época, sempre fez questão de declarar sua amizade e consideração pelo amigo Esequias; fosse nos programas de rádio, nos shows ou pessoalmente enquanto desfrutava do sossego da fazenda Barreiro nos intervalos de seus compromissos artísticos. Silveira algumas vezes declarou: "o meu sonho é tirar férias dessa vida corrida de artista e passar um bom tempo sentado no alpendre da casa do Barreiro, apreciando a vista e ouvindo os casos do meu amigo Esequias".

Por meio de seus programas de rádio, juntamente com o anúncio da agenda de shows, era comum esses artistas transmitirem também suas mensagens pessoais, simplesmente mandando um abraço ou avisos do tipo "comunicamos ao amigo Esequias Caetano, lá na fazenda Barreiro, no município de Carmo do Paranaíba, Minas Gerais", a data e local da próxima apresentação que aconteceria na região e, assim, requisitando a presença do amigo. Muitas dessas vezes, dadas as dificuldades de transporte daquela época, por costume, os próprios artistas pediam os préstimos do amigo para buscá-los em Araxá ou Patos de Minas para, em seguida, acompanhá-los ao show anunciado.



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Esequias Guardava poucas lembranças do pai, Miguel Caetano de Almeida, falecido quando ele ainda contava com apenas 4 anos de idade. Uma dessas poucas lembranças teria sido justamente do dia em que se despediu de seu pai pela última vez.

Naquela data seu pai sairia em viagem para visitar parentes na fazenda Lenheiros, a cerca de 40 km dali, próximo à cidade de Carmo do Paranaíba. Ao ver o pai montar a cavalo e se afastar, segundo contava, teria chorado muito, insistindo em ir junto. O pai, comovido, retornou, pegando-o no colo e levando-o para detrás da casa. Ali, tirou da cintura um canivete com o qual descascou e picou alguns gomos de cana, colocando-os num prato, que os dois começaram a saborear juntos, sentados na escada. Depois de entreter o filho com aquela "guloseima", o pai partiu, saindo pelo lado oposto da casa, sem ser visto.

Daquela viagem não mais retornou! Durante visita à casa de seu terceiro filho, Juvenato Caetano de Almeida, veio a

falecer repentinamente, acometido por ataque cardíaco, no dia 24 de novembro de 1919.



Capítulo (em formatação) ===========================Criado pela mãe desde então, em regime extremamente severo, [...]






Esequias estudou apenas por cerca de 3 anos, com professores rurais da região. [...]



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Iniciou sua vida como adestrador de burros e cavalos xucros. Assim, fez da atividade que praticava por prazer e por farra, o seu meio de renda. [...]



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Sendo pai de 09 (nove) filhos, dos quais Aluísio Fernando de Almeida era o caçula, com pouco mais de um ano de idade, nasceu, então, o 10º filho [...], que não chegou a ser batizado, tampouco registrado, vindo a falecer com cerca de 3 meses de vida, numa tragédia que abalou pai e mãe para o resto de suas vidas.

Numa certa madrugada, Quias Caetano saiu para uma de suas caçadas [...]

Na saída para a caçada, após ter preparado caprichosamente a matula do marido, a esposa, Isaltina Barbosa foi até a sacada do alpendre, de onde se despediu do marido, acenando e rezando pela sua proteção, como sempre fazia em cada adeus. Naquele momento, por mais que a criança recém nascida pudesse apresentar algum sintoma ou estado de saúde precário, a mãe, para evitar maiores preocupações ao marido, não comentou com o mesmo, deixando que ele partisse para seu lazer predileto [...]

Porém, ao longo do dia a criança foi acometida de um surto febril fatal! Sem recursos para o socorro médico, uma vez que não havia transporte motorizado à época e a cidade mais próxima se localizava a mais de 40 km, a mãe, desesperada, contando apenas com as orações e com o apoio dos familiares, viu a vida de seu pequeno bebê se esvair em seus braços!

Foi o único filho perdido, mas suficientemente trágico para abalar os corações de pai e mãe [...]

Ao longo de toda a vida Esequias lamentou este fato, se sentindo martirizado e demonstrando profunda dor, que o tempo não teve o condão de aliviar. Eventualmente ele comentava: “eu já perdi mãe, perdi pai, perdi irmãos e passei por muitas provações na vida, mas nada se compara à perda de um filho! Um filho é um grande pedaço da gente que, se perde, nunca mais se recupera”.






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