domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sérgio Vieira de Mello: Um Grande Brasileiro.


Eu costumo dizer que Sérgio Vieira de Mello foi o MAIOR entre todos os brasileiros contemporâneos! Um modelo pra mostrar que esse país não produziu apenas políticos desonestos e gestores públicos corruptos, mas também homens de grande caráter e de grande valor, a quem todo o mundo civilizado ainda rende homenagens! Veja AQUI.
Vale a pena saber mais e reverenciar o exemplo de profissionalismo e de competência desse grande cara, cuja memória já começa a cair no esquecimento, tão pouco tempo depois de ser covardemente assassinado num atentado terrorista, em Bagdá.

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Entre as tantas ações realizadas por Sergio Vieira de Mello, uma em especial, motivou ainda mais a minha admiração!
Em 1999 o Timor Leste, um país localizado no Sudeste Asiático, vivia uma situação muito parecida com o Haiti dos últimos dois anos.
Só que no Timor Leste o caos havia se consolidado ao longo de 25 anos de absoluto "desmando", sob domínio de milícias hostis entre si e em permanente "estado de guerra". Devido à inexistência de uma estrutura de poder estatal, não haviam forças de segurança, nem serviços públicos básicos oficiais (educação, saúde, transporte, infraestrutura, etc...), numa total desordem institucional, onde a miséria e a absoluta ausência do estado de direito predominavam. Era algo como uma situação tribal, só que totalmente bagunçado!...
Em 1975 o Timor Leste declarou a sua independência de Portugal. Porém, eles não dispunham de condições estruturais e administrativas, razão pela qual caíram no caos total.
Entretanto, em 1999, Sergio Vieira de Melo entrou nesse país com uma reduzidíssima equipe técnica, sem qualquer apoio logístico especial e praticamente sem estrutura de segurança militar, promoveu um referendo no qual praticamente toda a população de quase 1,5 milhões de habitantes votou pela independência definitiva de Portugal e pela autonomia administrativa.
Em Abril de 2001 – menos de dois anos depois de sua chegada, Sérgio Vieira de Mello entregou a tão sonhada soberania àquele povo, após coordenar a eleição e empossar o primeiro presidente eleito democraticamente na história do Timos Leste, promovendo, assim, uma das revoluções sociais e políticas mais bacanas de que se tem notícia, sem causar uma única morte sequer e sem deixar que se disparassem um único tiro.
A partir do caos e do quase "nada", nesse curtíssimo período de menos de dois anos, ele construiu um Estado nacional, montou a estrutura administrativa com todos os requisitos formais e de direito, instituindo todos detalhes e procedimentos gerenciais, operacionais e funcionais, colocando tudo em pleno funcionamento.
Paradoxalmente, nessa mesma época eu atuava na Administração de um órgão central do governo brasileiro, tentando levar adiante projetos e metas muito simples e pequenos, se comparados com aquela realidade, dispondo de recursos orçamentários que sobravam a cada final de exercício, com milhares de servidores bem remunerados à disposição e, ainda assim, as coisas não aconteciam!
Tanta diferença eu só atribuo a uma única razão: a absoluta falta de compromisso e de competência dos líderes que atuam por aqui, enquanto no caso do Timor Leste havia à frente de tudo um cara dotado de profissionalismo, determinação, vontade e, sobretudo, caráter - coisas raras por aqui!

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