sábado, 14 de janeiro de 2017

Ilusões do "American Dream": A gratuidade da saúde.

Fui para os EUA com o propósito de aprimorar o Inglês e, em seguida, cursar um MBA. Mas a sucessão de desapontamentos foi tamanha que eu acabei abortando o plano menos de um ano depois e resolvi registrar alguns desses desencantos.  
Como sempre, antes de conhecer, de fato, a realidade norte americana, eu tinha acumulado um sem número de elogios a respeito do maravilhoso sistema de saúde americano. Repetidamente as pessoas exaltam a qualidade do atendimento, dizendo que na eventualidade de um problema de saúde, qualquer cidadão, fosse americano ou imigrante, ilegal ou não, seria atendido imediatamente, sem sequer ser perguntado se poderia pagar pelo atendimento. Até aí, tudo bem. Nada muito diferente de qualquer país, inclusive o Brasil! Ou seja, caindo doente ou acidentado, ao serem acionado, os agentes de saúde chegam num tempo relativamente curto. Mas, ao estudar essa realidade, comecei a me deparar com peculiaridades, interessantes.
Primeiro, para que você não incorra em conta absurdamente alta, você deve chegar ao hospital e declarar que não tem renda nenhuma, alegando ser uma espécie de indigente. Você será atendido da mesma forma. Porém, ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, isso não fica de graça. O custo desse atendimento será contabilizado e uma companhia seguradora pagará integralmente pelo seu tratamento. Registre-se que talvez seja o tratamento hospitalar mais caro do mundo, mas não importa. O seguro paga. Entretanto, se algum dia você tiver alguma renda, essa seguradora poderá te acionar para receber o seu dinheiro de volta. E a legislação, o governo, o sistema judiciário, assim como a imigração, oferecem todos os meios necessários para que essa seguradora lhe arranque de volta o que pagou pra você.
Estudando um pouco mais esse sistema, constatei que, depois das empresas relacionadas ao sistema industrial bélico dos EUA, as empresas de saúde e as seguradoras são as que mais faturam em cima do cidadão, em uma espécie de "conluio" que, embora seja legal, serve para sugar os recursos financeiros da população, como eu explicarei mais adiante.
Justamente por essa razão, verificam-se situações impensáveis no Brasil, mesmo com o nosso tão mal falado sistema de saúde. Veja esse caso, por exemplo.
Um brasileiro teve um acidente e se internou com duas costelas quebradas, permanecendo no hospital por alguns dias. Ora, no Brasil é notório que, nos casos de fratura de costelas, o médico apenas receita alguns analgésico e alguns dias de repouso pra evitar muita dor do paciente e, no mais, é esperar a restauração óssea. Não há o que fazer.
Mas como esse brasileiro ainda não estava devidamente estabelecido, passou pelo tratamento e, no final, alegou que não dispunha de recursos, sendo dispensado e foi pra casa.
Todavia, algum tempo depois, ele constitui uma empresa e passou a ter um bom faturamento. Não demorou muito para que a empresa de seguros de saúde lhe apresentasse uma conta de 87 mil dólares, da qual ele não teve como escapar! Uma pequena fortuna, sobretudo, se considerarmos que no Brasil esse custo seria zero.

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, Mestre em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Sociologia, História Política e Social e Nutrologia, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, M∴M

Leia também:
1) A Qualidade da Saúde.
2) .


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