domingo, 11 de junho de 2017

O bloqueio do Whatsapp



O MPF (Ministério Público Federal) entende que o Whatsapp deve ser bloqueado no Brasil, porque não compartilha o conteúdo das comunicações privadas dos usuários com a polícia e com a justiça. Alegam que, por essa razão, o aplicativo cria condições que facilitariam a ação de criminosos.

Ora, primeiramente há que se entender que conversa privada é coisa que diz respeito apenas aos seus interlocutores e não cabe a ninguém bisbilhotar. Nem a polícia, nem a justiça, nem quem quer que seja. Tampouco isso é assunto da competência do Estado. 

E se, por desventura, esse recurso de comunicação está sendo objeto de mau uso por parte de criminosos, assim como costuma ser também o telefone comum e a Internet como um todo - e não era diferente com os tambores e com os sinais de fumaça da antiguidade, pois que bloqueiem os criminosos, não o recurso de comunicação.

Entretanto, os nossos Promotores deslumbrados por holofotes, preocupados em correr atrás de fama e prestígio, não enxergam essa lógica. Para eles é legítimo PROIBIR 200 MILHÕES DE BRASILEIROS DE USAR, PARA EVITAR O ACESSO DE MEIA DÚZIA DE BANDIDOS!

Como se não bastasse a inoperância, a ineficiência e a farsa teatral em que consiste o nosso sistema judiciário, agora cogitam nos impor uma ridícula privação, que remeteria o país ao tempo das trevas da comunicação, quando vivíamos sob o domínio das incompetentes e retrógradas empresas de telefonia pelegas.

Os protagonistas desse tipo de campanha são recorrentes e reaparecem sempre, ao sabor das ondas de boatos e motivados pelos cabeçalhos das manchetes sensacionalistas. Todavia, representam um sério risco ao nosso desenvolvimento social.

Vejam outros casos similares em que, pelos mesmos argumentos imbecis, tentaram impor absurdas proibições e restrições de acesso a tecnologias importantes, mirando alguns poucos bandidos e atingindo a população inteira:

✅ Quebra de SIGILO DE CORRESPONDÊNCIAS (Anos 90): Para evitar que dois ou três terroristas enviassem Antraz pelos Correios;

✅ Proibição do USO DA INTERNET livre (Anos 80/90): Porque ela propiciava a ação de meia dúzia de hackers, invadindo contas bancárias ou fraudando transações comerciais;

✅ Quebra do SIGILO TELEFÔNICO de celular (Anos 90): Para impedir que bandidos aplicassem golpes pelo celular;

✅ Proibição do CELULAR PRE PAGO (Anos 90): Pela mesma razão acima;

✅ Proibição do uso de GPS Inteligente, tipo Waze (Anos 2010): Porque avisam onde tem blitz, reduzindo a arrecadação com multas;

✅ Proibição do acesso ao Google Earth (Anos 2010): Para não expor autoridades, mostrando suas propriedades e mansões e, também, para não permitir que o cidadão comum veja, por exemplo, desmatamentos clandestinos, antes dos agentes públicos;

✅ Proibição do UBER e Airbnb (Anos 2010): Porque os agentes do sistema não são manipuláveis pelo governo e não são tributáveis;

✅ Redução da Velocidade de Tráfego de Banda Larga (Anos 2010): Para dificultar o uso da Internet por bandidos e hackers e para aumentar os lucros das empresas provedoras;

✅ Proibição da Banda Larga Ilimitada (Anos 2010): Pelas mesmas razões acima;

✅ Proibição de WI-FI público gratuito (Anos 2010): Para dificultar o acesso de golpistas e hackers à internet; Etc, etc...

Nessa linha de raciocínio, não me surpreende se usarem os mesmos argumentos para pedir a proibição do uso da eletricidade e dos automóveis. Afinal, estes recursos têm sido bem mais úteis ao crime do que o Whatsapp.

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, Mestre em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em Sociologia, História Política e Social e Nutrologia, Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, M∴M∴

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