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domingo, 1 de abril de 2007

Carta para minha mãe.

Oi, mãe,
Eu ontem reli uma carta sua, na qual você, como sempre, continua se preocupando com um monte coisinhas sem importância: quer saber se está tudo bem na escola, se eu estou me alimentando direito, se não estou me envolvendo com amizades erradas, etc, etc... 
Mãe, quantas vezes eu já disse que a senhora não tem motivos pra se preocupar comigo! Aqui tá tudo bem e eu estou me comportando direitinho! Pode ficar sossegada!...
Já tem um bom tempo que a senhora escreveu, né, e eu tinha até me esquecido de responder.
Mas hoje eu resolvi dar alguma notícia, por dois motivos: primeiro, porque bateu uma saudade muito grande da senhora e, também, porque hoje completa mais um aniversário do dia que a gente se encontrou pela última vez, lembra?
Aliás, eu acho até que deveria me desculpar com a senhora por causa daquele dia. Eu estava terrivelmente apavorado, transtornado e tomado por uma comoção violenta! Acho que a senhora nem deve ter notado, porque durante aquelas horas que a gente passou juntos, a senhora ficou o tempo todo com uma expressão tão meiga! Parecia que descansava profundamente, sonhando alguma coisa muito bonita!... Mas, eu penso que a senhora entende as razões pelas quais eu me comportei daquele jeito, né? Naquele dia, eu enfrentava um dos fardos mais pesados que Deus me pôs nas costas - desses que a gente nunca aprende a carregar, quase um martírio!... E, por causa disso, eu me sentia totalmente perdido, sem rumo e desesperado. Me lembro que o papai, quando me viu daquele jeito, me abraçou e disse “filho, a vida vai continuar!...”. Na hora eu não pensava assim, achava que o mundo tinha desabado. Mas ele tinha razão! O tempo passou e a vida continuou...
Porém, naquele dia eu preferia que a gente nem tivesse se encontrado, sabia?! Preferia que você tivesse deixado um recado lá em casa dizendo “Aháá!.. É primeiro de abril e eu não estou em casa! Fui pra Goiás com seu pai e vou demorar uns trinta dias pra voltar!...”. Mas não foi assim!... E já se passaram trinta e dois anos! Mas, como a senhora sempre disse! “Cuáh”, deixa estar!... Deus sabe o que faz, né... O importante é que estamos todos bem e a senhora continua a mesma mãezinha maravilhosa, cheia de paciência, meio chorona à toa, às vezes, mas ainda é a mais carinhosa e mais legal de todas as mães (vê se não fica exibida demais por causa disso, viu!...)
Mas, mãe, daquele dia pra cá, muita coisa boa aconteceu e eu ainda nem contei pra senhora! Eu me formei naquela escola! Lembra que te contei que era uma escola enorme, que o prédio era umas cinco vezes maior que o Estadual e que tinha mais de mil alunos? Pois é. Me formei lá, depois entrei pra faculdade e me formei também! A senhora costumava dizer que eu deveria ser um Engenheiro quando crescesse, né!... Pois é, eu consegui! Depois disso, ainda inventei de estudar mais! Nem sei pra que, mas eu achava que seria melhor e aproveitei o tempo que tinha à noite pra continuar estudando!...
Mãe, tava ansioso pra te contar: eu tenho duas filhas, já grandes! São lindas, inteligentes e me dão muito orgulho!
Eu tenho também um menino pequeno que é uma bênção de Deus! Precisava ver! Ele é agarrado comigo, abraçado o tempo todo e o sorriso dele pra mim é a coisa mais linda do mundo. 
Do jeito que a senhora sempre foi apegada com crianças, eu penso que ia ficar doidinha com a beleza e com a alegria dele. Deus ter me dado este pequeno foi uma realização pra mim. Tudo mundo acha que ele se parece muito comigo e eu fico todo faceiro de tanto orgulho.
Além disso, ainda vai nascer outra filha minha daqui a uns três meses. Essa eu queria que fosse parecida com a senhora! Sabe aquelas fotos antigas suas, de quando tinha uns quatorze anos de idade? Era muito linda, né! E essa sua calma, essa paz com que a senhora sempre resolve as coisas!... Se ela te puxasse, seria uma graça de Deus! Ah, eu ia achar bom demais!

Sabe, mãe, a saudade às vezes me faz lembrar de tanta coisa passada! Até dos castigos que, na hora, a gente quase morria de medo, mas depois ficava tudo bem...Teve um dia que a senhora tava fazendo pamonha, lá no Barreiro, com a Julieta do Joãzinho Preto, e me mandou ir na casa da Tia Helena buscar uma peneira pra coar a massa. Lembra, disso? Eu sei que, antes de chegar lá, o Fernando me chamou pra ver um balanço de cipó que eles tinham acabado de fazer. Dizia ele que o balanço era bom demais e que subia da altura de uma macaúba!... Aí, eu não pude resistir e a gente se envolveu por lá muito tempo. Além de balançar bastante ainda tivemos que amassar umas moitas de Palácio pra amaciar o tombo, caso o cipó arrebentasse... Quando cheguei na Tia Helena, outro portador já tinha vindo e levado a tal peneira. Então, eu saí correndo feito doido...
Atravessei aquele Barreiro todinho sem parar, pensando nas conseqüências da minha irresponsabilidade. Mas, hoje eu vejo que aquele medo era só por causa do castigo moral porque, na verdade, as suas chineladas (agora que sou grande, eu posso falar...) não doíam nada, nada!... Eu tinha mais medo até da Tôca, que nunca levantou a mão pra dar nenhum tapa na bunda de ninguém lá de casa... Naquele dia, quando cheguei, todo suado, a senhora me ameaçou de “pegar de coro” se eu fizesse uma coisa dessas de novo...
Toda a vida eu fui muito calado, mas acredito que, apesar disso, a senhora sempre entendeu e soube que, mesmo sem falar, eu te amo muito, né, mãe! Aliás, a senhora é umas das pessoas com quem eu mais me abro... Me lembro de um dia que me pediu pra ir com o papai pro Indaiá, fazer companhia e abrir as porteiras pra ele. Dois dias depois, quando chegamos de volta, ele caçoou que eu tinha ido mudo e voltado calado! Naquela hora eu fiquei meio magoado com aquele comentário. Mas você deu um sorriso tão bonito, me passou a mão no cabelo, como se quisesse penteá-lo pra trás e disse: “Ele é um menino muito bom!...”. Foi um afago que eu guardei no coração...
Eu ainda não consegui parar com aquela mania que eu tinha, de ficar acordado de madrugada, pensando... E nessas horas eu sempre sinto muita saudade da senhora e de tudo aí de casa. Tenho saudade das férias.... No fim de ano, tinha o Natal lá no Barreiro! Era muito bom, né. Tinha aquela vitrola em que a tampa era uma caixa de som. Além dos discos do Silveira e Silveirinha, que eles mesmos traziam para o papai, ainda havia o disco novo do Roberto Carlos que o Néder comprava pra senhora...
Nessas férias só não era muito bom as capinas de arrozal. Num ano era no arrozal do chapadão. No outro, o arrozal da moita de bambu! Disso eu não tenho muita saudade, não. Mas, também tinha a parte boa. Era quando a gente tava ali capinando desde manhãzinha e chegava a gamela de comida do almoço que a senhora mandava! Ah!... essa hora era sempre uma alegria muito grande. Que comida gostosa!...
Nas férias de julho tinha o carreto de milho da invernada, no carro de bois! Me lembro sempre disso também e, hoje, até sinto saudades. Mas não era muito bom. Que madrugadas geladas, credo!... Lembra que a senhora arranjava uns paletós velhos e umas capas pra eu e o Édi do Rubens vestir pra ir buscar os bois no pasto. Saíamos os dois, lá pelas quatro da manhã, com aquela lanterna velha que sempre estava com as pilhas fracas. Era muito, muito frio... Mas, ainda assim, antes do dia amanhecer já estávamos com a traia arriada a caminho da Invernada! Às vezes iam dois carros de boi, né e eu sempre ia encolhido num cantinho da esteira, coberto pelo caniço e pensando no calorzinho do alicerce da sua fornalha...
Mas essas lembranças também têm uma parte boa: era quando a gente chegava em casa de volta, muitas vezes já de noite (quando o carro de bois tombava ou encravava), todo mundo varado de fome e, então, tinha aquelas paneladas de arroz, tutu, lingüiça frita e ovo!... Que cheiro delicioso!... Não existe comida mais gostosa em lugar nenhum do mundo!... Eu acho que a senhora deve ser muito boa cozinheira porque, olha que eu já experimentei comida de muito lugares, mas nada se compara com as suas...
Mãe, o resto das coisas aqui em casa vão muito bem, fora a saudade que sentimos da senhora. Os meninos estão todos bem! Uns mais desobedientes que não dão muito valor nas coisas que a senhora sempre falou mas, no fundo, sua renca de menino deu tudo gente boa! Todos os dezessete.
Ah!... Mas tem uns que, de vez em quando, ainda me atentam até hoje! A Mãe Néca dizia que era eu que implicava as meninas, né. Mas, por mais que a senhora tenha pedido, ainda tem gente me chamando de orêiudo, dentudo e até de coisas piores... Mas, não se preocupe! Eu não me importo mais com isso. Já acostumei e nem ligo, mesmo se você ou a Tôca não estiverem por perto pra me protegerem...
Um beijo e fica com Deus, mãe.


Márcio.

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Nota: Esta é uma homenagem para cultivar as memórias de minha mãe, falecida aos 52 anos de idade, no dia primeiro de abril de 1975.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Novela do Cotidiano (Cap. 1)


Este é o enigmático e filosófico diálogo ocorrido entre as super amigas Udália Nucrécia e Atanásia Gerardinha. Sigam a história...
Em breve teremos novos capítulos.
(Autoria: Márcio Roberto de Almeida)

A novela é extraída da transcrição de um diálogo real. Por mais absurdo que possa parecer, a Udália Nucrécia e a Atanásia Gerardinha são irmãs do Amadeu Vitorino e cunhadas da Aparícia Lúcia.
Ao longo da conversa, o requinte de crueldade e o grau de hipocrisia são tamanhos que fazem o diálogo parecer uma comédia irônica. Mas, na verdade, as personagens se auto impõem essa fantasia...
O texto será incluído num livro que será lançado em alguns meses, narrando tramas e sagas curiosíssimas.

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Nucrécia: Oi, amiga! Tudo bem? Tô precisando descansar! Tô um caco!..
Gerardinha: Não sem antes eu te contar umas coisas. Você não é de ver que eu tô recebendo milhares e milhares de e-mails daquela Aparícia Lúcia. Eu te mandei pra você ver...
Nucrécia: E você acha que eu ainda não vi, menina!... Que abuso, hein? Mas você acredita nessa zoiuda?
Gerardinha: Claro que não! Nunca acreditei nela!... Tá louca!... Onde já se viu uma mulherzinha dessas falar que é feliz?! Ela é louca, meu!
Nucrécia: Minha querida, eu duvido que ela goste.de mensagens e de outras coisas de Deus. Só nós somos abençoadas e Deus ama a gente. Aquelazinha é uma fingida à toa!... Isso sim!
Gerardinha: Você viu aí o que ela escreveu, né? Fala de Deus e de coisas de amor como se entendesse disso! Hahaha!... Coitada!
Nucrécia: Eu quase morro de antipatia dela ficar falando com outras pessoas de minha família. Metida!... Morro de ódio! Dá vontade de esganar! Acho que vou sair da nossa associação só porque não suporto aquelazinha! Ai!... Que ódio!...
Gerardinha: Se você sair, minha querida, saiba que eu também saio na hora, né!... Não fico sem você em lugar nenhum! Só obedeço a você e mais ninguém neste mundo! Saio na mesmíssima hora que você sair, querida!
Eu também não suporto ver nem fotos daquela perua. Ninguém agüenta. Aposto que as pessoas que elogiam são todas fingidas. Só nós duas somos sinceras, né!...
Nucrécia: É mesmo!...Eu não agüento. Me dá nojo ter que ver aquela Pirralha!...
Gerardinha: Vou acabar falando com ela qualquer hora dessas. Ela que continue pensando que é linda e maravilhosa pra ver o que eu vou fazer. Quer fazer o maior escândalo. Vou falar assim, ó: “Sua pirralha, vai aparecer no meio da sua família! Tem dó!...”
Nucrécia: Eu prefiro ir embora do que bater boca com aquela infeliz! Ah! Se eu pudesse esganar ela!...
Gerardinha: É... você tá certa mesmo! É verdade. Então eu vou ficar quieta. Mas, ah! Se eu pego ela....
Nucrécia: Com certeza, bater nela não dá...
Gerardinha: É!...principalmente porque o Amadeu Vitorino, aquele doido esquisito, protege ela... Mas naquele dia lá na praia o Ordilon Agoncílio me falou umas coisas horríveis do Amadeu. Disse que ele é um desonesto, que nunca fez nada na vida e que só sabe pisar em qualquer um pra ficar por cima. É!... Esse Amadeu é um safado!
Nucrécia: Pois é!... E eu não sei?!... Ele não mede conseqüência pra nada. O que mesmo que o Ordilon te falou? Conta, conta!... Contou do caso dele e da Naira Vassalina? Conta... conta!...
Gerardinha: Perai! Vou ali trocar minha filha e depois te conto!... Espere pra ver! Você nem vai acreditar!
Nucrécia: Tô muito cansada, mas não agüento de curiosidade!...
Gerardinha: Espera!.. espera!...
Nucrécia: Ai!... meu Deus, fala, menina!....
Gerardinha: Bom, então tá! Vou te contar, mas não fale nunca pra ninguém! Ele me pediu segredo absoluto e prometi que levaria tudinho para o túmulo comigo!
Nucrécia: Fala!... meu Deus, fala, querida!... Você sabe que eu també sou um túmulo...
Gerardinha: O Ordilon falou que o Amadeu é um safado e ladrão! Que tudo que ele diz é mentira! Que ele tá explorando o nosso querido Acádio Vanderley!... Faz o Acádio trabalhar pra ele e, na verdade, o salário que Amadeu recebe, quem trabalha para garantir é o Acádio. O Ordilon disse que tá uma fera com o Amadeu e que quer acabar com ele, provar pra todo mundo que ele é um folgado, safado e mentiroso...
Nucrécia: Ah!... minha filha, isso nem precisava falar, né? Todo mundo sabe que o Amadeu é um safado. Essa história de que ele se formou em dois cursos superiores por méritos próprios, sem nunca ninguém ter pago nenhuma mensalidade escolar pra ele em toda a sua vida, que além disso fez seis ou sete pós-graduações, passou em concurso público federal concorrendo com quase 800 candidatos por vaga, é tudo balela! Mentira pura! Ele é sim, um picareta.
Gerardinha: O Ordilon disse que ainda não falou nada pra não inflamar. Mas que ainda vai por tudo em pratos limpos. Espera pra ver.
Nucrécia: Eu, graças ao meu querido e bondoso Deus, não estou me manifestando. Nem falo nada com aquele infeliz, senão eu também tenho um monte de coisas pra falar e, daí vou botar a boca no trombone. Deixa ele... Ele vai ver só!
Gerardinha: Eu não falo porque não sei da história direito, senão eu falaria tudinho também! Ia acabar com a vida daquele demônio malvado...!
Nucrécia: Além disso, tem as coisas o Amadeu falou e eu não posso falar. To engasgada!...Ah! Se eu pudesse falar ia ser o maior escândalo do mundo!!...
Gerardinha: É meeeeesmo!... Fala!... Fala!.... O que é?!... É coisa que o Ordilon te contou?!... Conta!... Conta!...
Nucrécia: Só se eu fosse louca. Prefiro ficar longe de tudo. Quanto mais longe eu ficar dele melhor..
Gerardinha: AH!... Não!... Eu te contei da minha parte! Agora quero saber!.... É sobre aquelas aventuras do Ordilon com a Naira??... É?... É?...
Nucrécia: Ele falou de irmãos meus!... Coisas muuuuito pesada. Pesadas demais! Se eu falar dá morte, revolução! Seria o maior escândalo do mundo! Não posso falar nuuunca, minha querida!
Gerardinha: Mas isso é covardia!... Se for sobre o lindo amor do Ordilon com a Naira, todo mundo sabe! Só se você souber de alguma coisa mais emocionante!... É?... Conta!... Conta!...
Nucrécia: Néeeein!... Se fosse só isso, tava bom demais! Isso são coisas lindas, maravilhosas!...
Gerardinha: Né nada!.. Eu não teria coragem de falar pra ninguém. Sei lá!.. Ás vezes até falava, né!... O quê que tem, né! O mundo tá cheio de prostitutas, até na Bíblia tinha prostituta que foi perdoada....
Nucrécia: Mas o safado do Amadeu põe as coisas na Internet, né! ... Babaca!... Ignorante!!!
Gerardinha: Pois é! Ele se acha o dono da verdade, Demônio infeliz!... Acha que sabe de tudo...
Nucrécia: O que eu sei, minha querida, não posso falar nunca, senão vira briga pura. Todo mundo vai querer matar todo mundo. Vira guerra!!..
Gerardinha: Deus me livre! É tão grave assim?
Nucrécia: Magiiina, minha filha! É muito mais do que você possa sonhar! Nunca existiu nada no mundo tão grave! Mas mesmo assim o demônio do Amadeu ainda não abaixa o facho!...
Gerardinha: Pois então deve ser terrível mesmo, né, minha querida!
Nucrécia: É!....
Gerardinha: Então, vamos entragar para Deus de Israel, né!... Mas, depois você me conta, tá!..
Nucrécia: Com o tempo ele vai dar uma acordada, nem que seja na marra...Tudo que se planta aqui, tem que se colher! Ela vai ver só!...
Gerardinha: Eu falei que um dia ele vai entender as coisas, e vai! Já começou!... Vou te contar, minha filha! Na minha igreja tem um demônio amigo nosso, poderosíssimo, chamado VME, que sabe muito bem das coisas. Ele já sabe das safadezas e dos pecados terríveis que o Amadeu sempre cometeu na vida. Agora, depois do grande golpe do desvio de milhões e milhões de dólares que o Amadeu aplicou, o VME está trabalhando nos castigos que ele merece....
Nucrécia: Será?!... Que beleza! Que merecido! Mas ele é o ladrão mesmo?
Gerardinha: É, minha filha! É tudo verdade! Essa história de as coisas que ele tem são fruto de trabalho honesto é pura mentira! Todo mundo sabe que ele nunca trabalhou, que o emprego dele é de mentira e que o salário que ele conta que ganha é tudo mentira. Então, ele só pode viver de golpes...
Nucrécia: Então, é verdade! Se ele não tem esse emprego maravilhoso que tanto fala, no qual ele diz trabalhar mais de dez ou doze horas por dia, que recebe esse salário maravilhosos, então ele só pode mesmo ser um golpista. Bem que a querida Naira sempre falou isso. Até que enfim, ele terá o que merece, né, querida!
Gerardinha: Claro!... E será do jeitinho que ele merece! Será pela dor! O VME já garantiu que ele terá um inferno em vida e que vai morrer muito antes do que pensa. No começo, se não der pra colocar ele na cadeia, serve colocar os irmãos dele, ou qualquer um que for próximo dele...
Nucrécia: Tá vendo! Que beleza!... E você ainda fica dando papo pra essa metidinha dessa zoreia! Nem precisava! Ela terá o que merece antes mesmo da gente precisar fazer alguma coisa...
Gerardinha: Querida, Deus me perdoe! Mas eu vou mandar fazer tudo porque está escrito que ele tem um pacto com o cão. Está escrito lá na minha igreja, num lugar secreto, que só os mais limpos de coração têm acesso!...
Nucrécia: Deus mandará pra ele uma maneira de ele baixar o facho, do jeito que ele merece, hahahaha!....
Gerardinha: Deus não terá misericórdia dele. Ele deve morrer de inveja da gente, né! Mas vai acabar morrendo é pelo poder da força de Deus...
Nucrécia: Será que a gente tem que rezar pra ele?...
Gerardinha: Deus te ouça!... tem! Tem que rezar muito! Eu sinto uma coisa horrível em relação a ele!... Estou sentindo uma áurea negativa sobre a cabeça dele. Não sei explicar! Mas é uma ameaça terrível!...
Nucrécia: Eu também sinto! Tenho até um pouco de pena. Sei que a vida dele é muito ruim e que será pior agora!...
Gerardinha: Ah!... Azar! Quem manda ele se debater com as coisas de Deus!
Nucrécia: É!... A energia dele não é boa!... É muito ruim!... Deve ser porque sofre demais de inveja, né!...
Gerardinha: Você também percebeu isso?!... Eu percebi há muito tempo!... É verdade!...
Nucrécia: E ele se esconde atrás dessa ninfeta mal informada, e desses filhos que nem deveriam nascer...Que Deus tenha complacência!... O primeiro, eu já dei minha palavra, no dia em que soube da gravidez. Disse que era um castigo de Deus e que ia ser a desgraça de muita gente!...
Gerardinha: E a oreia-seca ainda fica exibindo a barriga e se fazendo de feliz, toda sorridente!.. Eu falei com ela que não devia fazer isso!... Ai, que ódio!... Se eu pudesse pegar ela...
Nucrécia: Então!... É o que eu digo! Ela sempre se esconde atrás dessas tais barrigas... Devia se envergonhar. Não sei o que vai ser desses infelizes que nascem sem saber de nada!...
Gerardinha: Mas eu falo mesmo! Só abro a boca quando tenho certeza e pra ela eu falei!... Ainda quero falar mais... pra que aparecer tanto, né....
Nucrécia: É como eu digo: ela acha que estando de barriga tem um motivo pra chamar a atenção... Só isso. Isso nem é mãe, coitada... Aposto que nem sabe trocar uma fralda, né!...
Gerardinha: Com certeza!.. Ela é só uma menina boba e inconseqüente que sabe viver na dependência dos outros!.. Só isso! Se ela fosse um pessoa estudiosa e trabalhadora igual nós duas, né! Nós, sim! Somos maravilhosas, trabalhadoras e nunca vivemos às custas de ninguém, né, querida!
Nucrécia: Aliás, apesar de não parecer e apesar das pessoas ainda não saberem disso, nós sempre sustentamos os nossos maridos, né! Tudo o que eles fizeram na vida foi graças a nós, não é mesmo! Eles largaram a gente foi de vergonha de viver às nossas custas...
Gerardinha: É mesmo! E essa infeliz não sabe o que é sofrer na vida. Mas vai chegar a vez dela, né! Aposto que ela nem faz faculdade nada! Deve ser mentira também...
Nucrécia: Pois é!... E as crianças , coitadas não sabem de nada. Umas infelizes no mundo! Quando entenderem, vão se arrepender por terem nascido...
Gerardinha: É mesmo!
Nucrécia: Não perdem por esperar!... Ela é perigosa... Perigosíssima!... Você nem imagina!
Gerardinha: Pois é. Mas nós duas vamos ver até onde vai a alegria fingida deles. Essa esperteza toda de enganar todo mundo não vai longe....
Nucrécia: Ela já fez o Amadeu brigar com toda a família.! Você sabia que mais ninguém da família vai na casa deles?!... Pois é, minha filha! Essa história de que as pessoas estão freqüentando a casa deles, indo nas festas deles é tudo mentira!
Gerardinha: É mesmo!... Eu sei disso! As festas são todas falsas, ninguém vai lá. Eu já cansei de falar que a casa deles é horrível, nunca vi tanta coisa mal feita. As janelas são enormes pra entrar aqueles bandos de moscas, pernilongos, percevejos!... Imagina! Que coisa horrível! As escadas são cheias de degrau a piscina cheia de água! O maior perigo. Não sei como ainda não morreu ninguém naquela casa horrível!...
Nucrécia: E, ainda assim, ele fazendo intrigas perigosas e humilhando nós, né!...
Gerardinha: Mas eu já disse pra Deus colocar o Amadeu na linha, hehehe...
Nucrécia: Deixa pra lá. A hora dele chega..
Gerardinha: Temos que orar pra Deus mostrar o caminho certo pra nós...
Nucrécia: Eu tentei conviver com ele. Mas ouvi coisas horríveis.. Eles foram na minha luxuosa casa de veraneio e não fizeram faxina, não lavaram os tapetes nem as vinte toalhas chiques que tenho. Então, eu coloquei pra fora de casa. Só por causa disso, os desgraçados não me bajularam mais, pararam de me tratar como uma pessoa caridosa e bondosa, como eu mereço!... Ah!... Agora acabou...
Gerardinha: Eu não quero conviver com eles também porque eles são fofoqueiros. Deus me livre! Que o sangue de Jesus me proteja! Detesto gente fofoqueira e linguaruda! Queima, Jesus!... Queima, Jesus!...
Nucrécia: Eu também!... Deus me livre de gente linguaruda que não tem o que fazer e fica falando dos outros!... Rezo por eles e tudo, mas quero distancia, a maior possível...
Gerardinha: Ai, meu Deus, o que será que ele falou dos nossos irmãos de tão grave? To louquinha pra saber!... Conta!... Você viu?!... Você ouviu?!... Quem te contou?!... Foi o Ordilon?!... Conta! Conta!...
Nucrécia: Nunca conto!... Mas só de saberem que ele ficou com raiva de ser tocado pra fora, ficaram com raiva dele também...
Gerardinha: Mas aquelazinha, é só uma menina boba e caprichosa! Não vamos ficar irritadas por causa dela mais, tá querida!
Nucrécia: É!... Uma insignificante....Nem tanto, porque ela é bem esperta também....e vivida.
Gerardinha: Quáquáquáquá... mas o perigoso mesmo ali é o Amadeu, infelizmente!...
Nucrécia: É mesmo!...Engana todo mundo... Mas ela também se faz de quietinha pra comer o pedaço maior...
Gerardinha: Mas ele, querida, além de tudo, é egoísta, orgulhoso!...
Nucrécia: E ela, que agüenta horrores do Amadeu, que faz gato e sapato dela... Ah! Se fosse comigo! Você sabe muito bem! Homem comigo tem que ficar no devido lugar. Homem nenhum presta! Todos são vagabundos, safados e puteiros. Éééh, minha filha! Eu tenho experiência própria! Os que já entraram na minha casa eu tratei de jeito que merecem; pus pra rua e mandei tudo pra puta que pariu...
Gerardinha: É... Mas o Amadeu quer ser mais do que todo mundo!
Nucrécia: Mas não será pra sempre!...Ah!, sim, com certeza, não perdem por esperar.
Gerardinha: Ele ainda abandonou as próprias filhas. Sorte que a mãe delas cuida e trata das infeliz, porque se dependesse dele!.... Coitadas!... Sabia de uma coisa? Essa história de que as filhas dele estudaram nos melhores colégios e faculdades particulares às custas dele é pura mentira! Elas nem devem ter estudado e nem devem ter onde morar, nem carro pra andar com impostos, gasolina, seguro e manutenção paga, nem plano de saúde, nem academia, nem cursinhos e pós-graduação, nem computador, internet, tv a cabo, viagens, passeios... É tudo mentira, minha filha! Eu sei de tudo!...
Nucrécia: É mesmo, querida!... Só podia ser! Eu já imaginava...

(aguardem o próximo capítulo: Os produtos de Limpeza e as faxinas na luxuosa casa de veraneio)
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Nota do Autor: Quaisquer alegações de analogia com fatos e informações reais serão meras conjecturas e concidências (ou, não?!...). Entretanto, caso houverem eventuais fontes originais que respaldem fatos e informações verídicos aqui narrados, estão sob a guarda legal do autor.