quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Pimenta Malagueta

Pimenta Malagueta


(Capsicum frutescens)


Fontede referência: Wikipédia, a enciclopédia livre: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pimenta_Malagueta, cuja versão original é de nossa autoria.





A pimenta-Malagueta é um arbusto pequeno da família das solanáceas, nativo de regiões tropicais da América, muito cultivado no Brasil. Tal espécie de arbusto possui folhas ovais, acuminadas, flores alvas e bagas fusiformes, vermelhas, bastante picantes, utilizadas como condimento e excitantes do aparelho digestivo. É bastante comum o uso tanto do nome popular como do científico para os diversos cultivares de Capsicum annuum com frutos muito pungentes. Também é conhecido pelos nomes de jindungo, maguita-tuá-tuá, ndongo, nedungo e piripíri.



História


O primeiro europeu a ter contato com a pimenta-malagueta foi Cristóvão Colombo quando desembarcou pela primeira vez na região onde se localiza atualmente o México. Além de ser uma iguaria nobre muito apreciada pelos antigos habitantes das Américas, era também utilizada como corante natural e, sobretudo, como medicamento. Menos de um século depois de ser levada à Europa, a pimenta-malagueta ganhou o mundo e, devido às suas qualidades, se espalhou por diversas culturas ancestrais, incluindo a Arábia, a Índia e a China. Desde então, vem seduzindo cada vez mais pessoas em todos os continentes.



Apesar de ardida, esta enigmática frutinha vermelha e brilhante sempre exerceu inexplicável fascínio nas pessoas. Ora, não há explicações razoáveis que justifiquem o prazer e o gosto de tantos apreciadores que habitualmente buscam o efeito picante e a dor provocada pela ingestão de pimentas! Seriam eles motivados por alguma conduta masoquista inconsciente ou seria apenas uma ação instintiva do organismo, buscando saciar anseios nutricionais?



Certo é que, além de saudável, a pimenta Malagueta traz sabores e cores especiais aos pratos e pode ser qualificada como um alimento plenamente integrados à cultura e aos costumes de diversos países do mundo, especialmente do Brasil e do México, onde é o principal ingrediente responsável pelas peculiaridades e qualidades gastronômicas típicas mais apreciadas.




Propriedades nutricionais



Concentra em sua composição altos índices de vitamina C, ácido fólico, betacaroteno (vitamina A), vitamina E, magnésio, ferro e aminoácidos, além de diversas substâncias anticancerígenas.



Propriedades botânicas


Os componentes mais característicos encontrados exclusivamente nas pimentas são enzimas denominadas capsaicinóides, responsáveis pela ardência que produzem ao agirem nas células nervosas da boca e das mucosas. São divididas em duas categorias:


Capsaicina

Encontrada nas nervuras do fruto das pimentas vermelhas.

Piperina

Muito concentrada na pimenta-do-reino, porém presente também nas sementes de diversas espécies de pimentas hortícolas.


Essas duas substâncias isoladas não possuem qualquer cheiro ou sabor, apesar do ardor que ambas provocam, cada qual ao seu modo. A piperina produz ardência através da ação causticante, queimando as células superficiais da mucosa atingida. Já a capsaicina age provocando uma surpreendente aceleração do metabolismo no local, dilatando os vasos capilares e aumentando o fluxo sanguíneo, o que propicia um substancial aumento do fluxo de nutrientes e de oxigênio à área atingida e, além disso, estimula as ramificações nervosas, elevando a capacidade dos sistemas imunológico e antiinflamatório e melhorando a capacidade de cicatrização e a ação bacteriológica.


Propriedades curativas



Confirmando conhecimentos de antigas culturas e da sabedoria popular mais recente, pesquisas atuais demonstram que a ação da capsaicina protege o aparelho digestivo contra danos causados por substâncias agressivas, como álcool e alimentos ácidos, além de aumentar a velocidade de trabalho das funções intestinais. Além disso, seu efeito na boca e nas gengivas, estimula a salivação e limpa os dentes e, através da ação vasodilatadora, aumenta os batimentos cardíacos e a sudorese.



Um dos piores mitos associados à pimenta é o de que provocaria ou agravaria gastrite, úlcera e hemorróidas. Entretanto, nada disso é verdade. Contrariando crendices populares e até mesmo teorias médico-científicas, pesquisas mostram justamente o oposto e comprovam que a pimenta pode, inclusive, trazer cura a essas moléstias. Experiências mostraram que pessoas com hemorróidas podem sofrer irritações no reto após ingestão de pimentas vermelhas, num primeiro momento. Porém, a administração moderada e prolongada de pimentas com baixo teor de piperina podem reforçar o processo de cicatrização.



Os bioflavonóides, pigmentos vegetais contidos nas pimentas vermelhas, segundo pesquisas realizadas, parecem prevenir contra o câncer, sendo que a ação da capsaicina, além de todos os efeitos mencionados, comprovadamente age como eficiente anticoagulante, prevenindo a formação de coágulos que podem causar ataques cardíacos ou derrames cerebrais.



Uma das aplicações medicinais da pimenta, amplamente divulgada pelos meios científicos, é o seu efeito curativo sobre grande parte dos tipos de enxaqueca.



Ação metabólica


O ação da pimenta e seus efeitos no metabolismo humano acontecem da seguinte forma: Quando uma pessoa ingere um alimento apimentado a Capsaicina ou a Piperina estimulam os receptores sensíveis existentes na língua e na boca. Ao serem atingidos químicamente por tais substâncias, esses receptores nervosos transmitem ao cérebro uma mensagem informando que a sua boca estaria sofrendo queimaduras. Imediatamente o cérebro gera uma resposta ordenando ações no sentido de salvá-lo do suposto fogo e, com isso, vários agentes entram em cena para refrescá-lo: a pessoa começa a salivar, sua face transpira e seu nariz fica úmido. Além disso, embora a pimenta não tenha provocado nenhum dano físico real, seu cérebro, enganado pela informação que sua boca estaria pegando fogo, começa a fabricar endorfinas que permanecem por um bom tempo no seu organismo, provocando uma sensação de bem-estar, de euforia; uma sensação muito agradável resultante do estado alterado de consciência; tudo provocado pelo verdadeiro banho de morfina interna do cérebro.



Toda essa superatividade na região atingida pelos capsaicinóides se traduz numa substancial aceleração do metabolismo, assim como descreve o parágrafo das Propriedades Botânicas acima, provocando grande aumento do fluxo sanguíneo e da concentração de glóbulos brancos ou leucócitos - os defensores do nosso organismo e do nosso sistema imunológico - o que resulta numa verdadeira ação concentrada, um mutirão de limpeza, manutenção e reparo das estruturas celulares locais.



Além da coloração intensa e dos sabores picantes, associados aos caprichos e à sedução, a pimenta historicamente tem sido considerada como um suposto afrodisíaco. Já no século XVI era proibida aos jovens sob a suspeita de estimular a sensualidade. Mas tudo isso surpreendentemente pode ter fundamentos razoáveis, uma vez que a Capsaicina, ao provocar o aumento dos níveis de endorfina, faz com que o sistema nervoso central responda com uma agradável sensação de prazer e bem estar, além de elevar a temperatura corporal e ruborizar a face, condições propícias ao afloramento espontâneo da sensualidade.





A malagueta original


A pimenta-malagueta silvestre, também conhecida no Brasil como malaguetinha caipira, destaca-se pela alta concentração da capsaicina e baixíssimos teores de piperina, o que faz com que seus efeitos no organismo humano sejam predominantemente benéficos. Além disso, seu sabor inconfundível e marcante e seu aroma agradável fazem dela a variedade mais apreciada e mais apropriada à maioria dos pratos. Contudo, é importante salientar que as espécies de pimenta comercializadas como sendo malagueta, via de regra são espécies híbridas, resultantes de cruzamentos realizados para desenvolver variedades mais produtivas, mais resistentes a pragas e menos atrativas aos pássaros e insetos, uma vez que a malaguetinha original é altamente susceptível a todos esses ataques.



A cultura popular no interior dos estados de Minas Gerais e de Goiás, no Brasil, identifica a maioria das variedades encontradas no comércio com rótulo de pimenta-malagueta, como sendo pimenta-café. Esta denominação decorre do aroma característico da fruta que se assemelha ao cheiro do grão de café em fase de secagem. Além disso, outra característica fundamental que difere a malaguetinha silvestre das espécies híbridas é o tamanho e a coloração do fruto. A variedade original apresenta um fruto menor do que as espécies mais comuns e, mesmo após amadurecido, a pontinha do fruto preserva um tom levemente esverdeado.

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Sugestão de leitura sobre o tema:

Dra. Daniela Heb, em http://itodas.uol.com.br/portal/saude_e_bem_estar/colunistas/daniela_hueb/materia.itd.aspx?cod=2896&canal=525


5 comentários:

CresceNet disse...

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Cleide Maria disse...

Prezado Márcio,
Achei interessante este seu documentário, até mais pela sua formação profissional, ou seja, não é da área agrária e escreveu documentário sobre pimenta. Eu como Eng. Agrônomo e pesquisadora da cultura da pimenta e mais especificamente, da malagueta, fico imensamente feliz pelo interesse de pessoas fora da area agricola por esta cultura tão importante no Brasil, tanto em rentabilidade quanto social. Trata-se de uma cultura que requer grande número de pessoas, principalmente, na colheita, fato que ajuda a manter o pequeno agricultor no campo.
Parabéns pelo documentário e quaisquer dúvidas que tiver interesse em resolve-las, entre em contato comigo que será um prazer.
Cleide Maria Ferreira Pinto
Pesquidora da Epamig-Centro Tecnológico da Zona da Mata.
Vicosa, MG
Fone: 31 3899 5223
Fax: 31 38995224

Anônimo disse...

a 20 dias estou comendo 6 a 8 pimentas todos 0s dias almoço e janta se o viagra der o efeito que a pimenta esta fazendo comigo o viagra ta de parabens

Luis disse...

Caro Marcio: Reforço o comentário da Cleide no sentido de parabeniza-lo pela pesquisa,pelo excelente papel que estas fazedo em divulga-la mas mais do que isto por assumires publicamente (com todos decorrentes...)o amor pela pesquisa que transcende o circulos acadêmicos; a pesquisa autoditada, a pesquisa como cultura popular que oxalá se incorpore no cidadão comum com o mesmo gosto e desejo de assistir sua novela preferida, seu jornal ou seu time de futebol....Sou digamos um autodidata em nutrição, sem formação alguma na área...mas entusiasmado pelo tema, assim como cidadão comum também me coloco a disposição para ajudar no que for preciso...!! Agradecemos todos!! Com os melhors cumprimentos...Luis Spadoni (luisspadoni@gmail.com)

Anônimo disse...

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