sábado, 3 de fevereiro de 2018

Escravidão: quem foi vítima e quem foi opressor?

Entre 1550 e 1890, 12 milhões de negros africanos foram capturados por seus compatriotas poderosos que, movidos pela ambição de poder e riqueza, os venderam em troca de algodão e açúcar a comerciantes europeus. Estes, por sua vez, como negociantes que eram, os revendiam como escravos para fazendeiros e cidadãos ricos na América, geralmente em troca de açúcar e algodão. Era o branco trocado pelo preto.

Foi a maior migração de humanos do Planeta e a mais dramática. Dos 12 milhões capturados na origem, 2 milhões morreram em trânsito, amontoados como mercadoria nos porões dos navios negreiros. 

Muito embora a expatriação forçada e a condição de escravo impusessem uma severa e indigna degradação a essas pessoas, eles suportavam essa vida porque, enquanto mãos de obra úteis, eles ainda eram valorizados como "bens de produção" e, por isso, eram alimentados e tinham onde morar ou, pelo menos, onde se abrigar.

Por mais paradoxal que possa parecer, o outro grande golpe que essas vítimas sofreram foi a abolição que, por uma imposição legal compulsória e mal planejada, colocou toda essa gente nas ruas, sem casa, sem trabalho e sem ter, sequer, o que comer ou onde pernoitar. 

Foi um verdadeiro caos, pois a Lei proibia a relação escravocrata, mas não previa, nem tampouco regulava qualquer outro tipo de vínculo entre ex escravos e seus senhorios, obrigando a uma ruptura brusca, que deixou milhões de negros desamparados pelo país afora, em situação de indigência! Foram anos, talvez décadas de muito sofrimento, até que todo esse contingente se arranjasse na sociedade! Segundo alguns autores, eles não se arranjaram ainda, até hoje!

E foi justamente após a abolição - e por causa dela - que apareceram as primeiras favelas e guetos, assim como as centenas de quilombos e agrupamentos de pessoas em situação de penúria espalhados pelo interior do Brasil, tal como Canudos, por exemplo. 

A tão desejada libertação trouxe, como consequência, um efeito perverso, que não tinha sido avaliado. Ou seja, a liberdade foi conquistada, mas os ex cativos, acostumados ao paternalismo há gerações, não tinham condições de arcar com a própria subsistência, manutenção e segurança e caíram num limbo existencial, sem nenhuma assistência, nem por parte do Estado, nem da Igreja ou qualquer outra instituição que assumisse esse pesado encargo. 

A rigor, como diz o Historiador Florestan Fernandes, "a abolição foi uma espoliação extrema e cruel". No entanto, o estado, por razões óbvias, admite que fez corretamente o que deveria ter sido feito, pois se tratava de uma justa reivindicação da catgoria.   

Entretanto, a maior escravização da história da humanidade foi de negros escravizando negros compatriotas, para "uso" próprio. Entre os séculos XVI e XIX a Etiópia foi o único país africano a resistir à colonização europeia, assim como a não "exportar" seus próprios cidadãos como escravos. Em compensação, os seus governos tiranos garantia condições para que parte da população fosse segregada para ser usada como escravos pelos mais abastados, chegando a ter 10% da população escrava.

Fontes:
Migração dos negros pós abolição - C. E. Coutinho Costa
A nova Abolição - Petronio Domingues

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, ex Diretor de Auditoria do Governo Federal, Ex Presidente de Processos Administrativos da Agência Nacional de Aviação Civil, Coordenador Geral de Modernização e Tecnologia nos Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia, Meio-Maratonista, MM

domingo, 14 de janeiro de 2018

Redes Sociais versus Sociedade Tradicional

As redes sociais refletem fielmente a personalidade, assim como o estilo de cada um nas relações interpessoais.

Repare que nada é diferente do que sempre foi na sociedade tradicional-convencional. Muda apenas o ambiente onde a comunicação acontece, que antes era a praça pública, o clube ou a vizinhança, agora é a Internet; porém os atores e a dinâmica das relações são exatamente iguais nas duas realidades.

Tanto no ambiente tradicional quanto no virtual, sempre há aqueles que se expõem mais, que mostram as suas conquistas, exibem seus filhos, sua nova namorada, seu cachorrinho... Que falam e mostram fotos das viagens, do trabalho, das festas e jantares interessantes, que elogiam as virtudes da esposa, comentam façanhas dos amigos, etc... Tudo isso com a maior naturalidade, pois são as coisas boas da vida, das quais se sente orgulho e que trazem alegria quando compartilhadas com os amigos.

Essas pessoas são as Espontâneas - aquelas que, na sociedade convencional já se destacavam por esses mesmos aspectos e que, nas mídias atuais, estão sempre seguindo os amigos e vibrando com as conquistas e com o sucesso deles. Curtem tudo, comentam elogiando e participam de postagens de humor, de política, etc.

Há também aqueles que são mais contidos e, embora tenham virtudes e conquistas que, se fossem mostradas, levaria alegria aos seus amigos, mas que preferem ficar na sua. Muitas vezes nem acessam as redes sociais ou fazem isso muito raramente, apenas pra ver como andam  as pessoas mais próximas ou para saber das notícias.

Estes são os Isentos - aqueles que, na sociedade convencional, não gostam muito de opinar, preferem ficar mais à margem dos eventos e dos agitos e não ligam muito para a dinâmica social, festas viagens, etc.

Além destes, há ainda aqueles que até gostariam de aparecer mais, porém não se sentem seguros. Dentre estes, há alguns que ficam de olho nos outros - não perdem um lance sequer do que se passa ao redor. Percorrem a linha do tempo de cima em baixo, vasculhando tudo o que foi postado, mas nunca se manifestam! Nunca curtem nem comentam nada! Fazem de conta que não viram nada. É que, via de regra, as vitórias dos outros lhes causam desconfortos e, até mesmo, ira. Por isso, diante de cada postagem mostrando o sucesso de alguém, revoltam-se:
- Por que ele e não eu? Se perguntam inconformados!

Quando alguém comunica uma grande conquista nos Grupos de Whatsapp, por exemplo, ficam "sumidos" por dias ou semanas, depois reaparecem insinuando que não leram nada, por falta de tempo ou porque estavam doentes. Na verdade, leem tudo. É que costumam mentir, também.

Estes são aqueles mesmos que, na sociedade convencional, também costumam ficar na espreita, dissimulados, observando os outros. E quando um amigo conquista uma namorada linda, por exemplo, sempre arranjam um defeito pra ela. Se outro realiza um casamento de sonhos, fazem comentários cínicos e dizem que foi ridículo, esquisito e, da mesma forma, se o filho da vizinha é aprovado num concurso fabuloso, ironizam e tentam desqualificá-lo. Por outro lado, quando ficam sabendo que algum "amigo" sofreu um revés na vida, terminou um relacionamento ou teve problemas de saúde, vibram como se sentissem vingados por qualquer coisa e, secretamente em pensamento, exclamam:
- Bem feito! Quem mandou ser tão enxerido! Foi castigo de Deus!

Estes costumam também levar e trazer intrigas, jogando umas pessoas contra as outras, na expectativa de que, depois da briga, o "vencedor" fique do seu lado. Tramam uma espécie de conspiração fantasiosa, na qual acreditam que, se todos os bons forem aniquilados ou ridicularizados, ele sobrará em destaque na sociedade.
Estes últimos são os Invejosos.

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, ex Diretor de Auditoria do Governo Federal, Ex Presidente de Processos Administrativos da Agência Nacional de Aviação Civil, Coordenador Geral de Modernização e Tecnologia nos Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia, Meio-Maratonista, MM

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Redes Sociais x Sociedade Convencional

As redes sociais refletem fielmente a personalidade, assim como o estilo de cada um nas relações interpessoais. 

Repare que nada é diferente do que sempre foi na sociedade tradicional-convencional. Muda apenas o ambiente onde a comunicação acontece, que antes era a praça pública, o clube ou a vizinhança, agora é a Internet; porém os atores e a dinâmica das relações são exatamente iguais nas duas realidades.

Tanto no ambiente tradicional quanto no virtual, sempre teve aqueles que se expõem mais, que mostram as suas conquistas, exibem seus filhos, sua nova namorada, seu cachorrinho... Que contam coisas do seu trabalho, das suas viagens, falam de uma festa ou de um jantar legal, mostram fotos, elogiam as virtudes da esposa, comentam façanhas dos amigos... Tudo isso com naturalidade, pois são as coisas boas da vida, das quais se sente orgulho e que trazem alegria e prazer em compartilhar com os pares.
Essas pessoas são do estilo ESPONTÂNEO - aquelas que, na sociedade convencional já se destacavam por esses mesmos aspectos e que, nas mídias atuais, estão sempre seguindo os amigos e vibrando com as conquistas e com o sucesso deles. Curtem tudo, comentam elogiando e participam de postagens de humor, de política, etc.

Há também aqueles que são mais contidos e, embora tenham virtudes e conquistas que, se fossem mostradas, levaria alegria aos seus amigos, mas que preferem ficar na sua. Muitas vezes nem acessam as redes sociais ou fazem isso muito raramente, apenas pra ver como andam  as pessoas mais próximas ou para saber das notícias. 
Estes são os ISENTOS - aqueles que, na sociedade convencional, não gostam muito de opinar, preferem ficar mais à margem dos eventos e dos agitos e não ligam muito para a dinâmica social, festas viagens, etc. 

Além destes, há ainda aqueles que até gostariam de aparecer mais, porém não se sentem seguros. Dentre estes, há alguns que não perdem um lance sequer do que se passa em seu meio. Percorrem a linha do tempo de fora a fora, vasculhando fatos da vida dos outros, mas nunca se manifestam! Nunca curtem nem comentam nada - fazem de conta que não viram. 
Via de regra, as vitórias dos outros lhes causam desconfortos e, até mesmo, ira.
Por isso, diante de cada postagem mostrando a conquista ou o sucesso de alguém, revoltam-se: 
- Por que ele e não eu?
Quando alguém comunica uma grande conquista nos Grupos de Whatsapp, por exemplo, ficam "sumidos" por dias ou semanas, depois reaparecem insinuando que não leram nada, por falta de tempo ou por que estavam doentes. Na verdade, lêem tudo. É que costumam mentir, também.
Estes são aqueles mesmos que, na sociedade convencional, costumam ficar na espreita, dissimulados, observando os outros e, quando o filho da vizinha é aprovado num concurso fabuloso, por exemplo,  ironizam e tentam desqualificar! E quando um amigo conquista uma namorada linda ou realiza um casamento de sonhos, fazem comentários cínicos e sarcásticos.
Costumam também levar e trazer intrigas, jogando umas pessoas contra as outras, na expectativa de que, depois da briga, o "vencedor" fique do seu lado. Tramam uma espécie de conspiração fantasiosa, na qual acreditam que, se todos os bons forem aniquilados, ele sobrará em destaque na sociedade. 
Estes são os INVEJOSOS.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A terra não era dos índios

Ao contrário do que se prega, os índios nunca exerceram a ocupação ecologicamente correta, nem tampouco a propriedade legítima das terras brasileiras. Entenda por que.

Desde milhões de anos, muito antes deles chegarem, o país era constituído de florestas densas, com milhares de espécies de animais silvestres, a maioria dos quais vieram a ser extintos pela ação predatória, após a ocupação desses indígenas.

Por razões culturais, as etnias que ocuparam o território brasileiro não cultivavam a terra e não produziam nada para a própria subsistência. Vivendo como caçadores-coletores nômades, eles exploravam as áreas de terra até exaurir a fauna ou até o solo entrar em processo de desertificação. Em seguida, se transferiam para nova área e, assim, sucessivamente, uma área após a outra, ao longo de centenas ou milhares de anos, acabaram causando a degradação do meio ambiente e a extinção da maior parte da fauna e da flora silvestres.

Os desmatamentos e as constantes queimadas sem nenhum critério e sem controle, destruindo a microbiota e os nutrientes do solo, teriam sido responsáveis pela redução áreas de terras de cultura e de matas, com consequente expansão da caatinga e do cerrado que, somados, atingem atualmente a espantosa proporção de 38% do território nacional.

Uma vez que o estilo de vida indígena não propiciava nenhuma produção econômica e, considerando que a população necessitava de alimentação e bens de consumo, os governos, desde as Capitanias Hereditárias, muito sabiamente decidiram colocar as terras nas mãos de quem pudesse trabalhar e produzir.

Para viabilizar isso, conferiu-se aos produtores os chamados títulos de direito de propriedade, uma espécie de documento que tem fé pública e é respeitado no mundo inteiro, desde os tempos de Roma antiga, e que são as fontes do direito de propriedade vigente atualmente. 

Por outro lado, a alegação de que os indígenas sofrem por falta de terras é outra falácia! Cada criança indígena já nasce como proprietária de nada menos que 181 hectares de terra, sem que ninguém da sua família tenha que fazer absolutamente nada para adquirir esse patrimônio. São 118 milhões de hectares assegurados legalmente para 650.000 índios.

Ou seja, ao nascer a criança já integra o seleto grupo dos maiores latifundiários do país. E, caso venham a conseguir a demarcação de tudo o que reivindicam, cada nova criança já nascerá proprietária de 470 hectares de terra, convertendo a categoria indígena brasileira na maior elite latifundiária do planeta. Em consequência disso, o estado de Roraima, por exemplo, terá apenas 4,5 % do território atual.

E sabe o que as terras em mãos de indígenas produzem para a nação brasileira?
-   Nada! E nunca vão produzir, pois eles têm assegurado por lei o direito de continuarem, "ad eternum", apenas consumindo os recursos naturais, derrubando árvores e comendo os animais, sem nenhum compromisso de trabalhar, nem produzir. 
E sabe quem mais explora as riquezas naturais dessas terras?
-   ONG`s, supostamente mantidas por grandes multinacionais do ramo de ouro, diamante, madeira e fármacos!

Um modelo da injustiça que acontece:

Eu estive na reserva Raposa Terras do Sol em 2004, em missão oficial (por ordem dos índios, ali só entram autoridades do Ministério da Justiça) e, estranhamente, tivemos como interlocutores daqueles indígenas, cidadãos norte americanos, supostamente representantes de ONG`s defensoras do meio ambiente.

Mas, o que mais me deixou espantado, foi a quantidade de caminhonete de luxo 4x4 transitando na lama e de telefone celular via satélite per capta. Até hoje nunca vi nada igual, assim como nunca vi, nem no cinema, tanta corrente de ouro maciço no pescoço de tudo o quanto era peão de garimpo, nem tanto equipamentos de som e TV de último tipo em barracas de índio, ligados por geradores de alta tecnologia.

Daquelas terras haviam sido expulsas centenas de famílias sob o rigor do facão dos indígenas, que incendiaram tudo o que encontravam pela frente, assassinaram covardemente pessoas inocentes, mulheres e crianças, obrigando a sair os fazendeiros que exerciam a posse legítimas, muitas vigentes há mais de 230 anos, onde investiam e mantinham fazendas altamente produtivas. Ressalte-se que muitos desses fazendeiros eram descendentes de etnias indígenas rivais.
E sabe o que os índios que invadiram faziam ali?
-   Tomavam whisky e fumavam charuto deitados em redes, ouvindo música em aparelhos de som tão sofisticados que eu nunca pude comprar igual.

Vale observar que, pelas mesmas razões, as teses de legitimidade usadas pelos invasores de terras não passam de alegações falaciosas, que não encontram sustentação legal, nem jurídica, nem moral, nem respaldo histórico nenhum. Trata-se tão somente de ação criminosa, promovida por desocupados e comunistas de carteirinha, via de regra, preguiçosos que nunca trabalharam nem na cidade, muito menos na terra. Isso é crime.
Referências Bibliográficas: (i) Wikipedia, a Enciclopédia Livre, (ii) Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch. 

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, MBA em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Informática, ex Diretor de Auditoria do Governo Federal, Ex Presidente de Processos Administrativos da Agência Nacional de Aviação Civil, Coordenador Geral de Modernização e Tecnologia nos Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego, pesquisador autodidata em Nutrologia e Nutrição Esportiva, História e Sociologia, Meio-Maratonista, MM

terça-feira, 20 de junho de 2017

Maravilhas do Rock'n Roll - Anos 60/70: "Love Hurts"

Entre 1975 e 76, eu morava numa pensão na rua Guajajaras, esquina com São Paulo, em BH, juntamente com meus irmãos Thomé (Jader) e Aluísio, o meu primo Fernando Almeida, além do Geraldo Cesar Bontempo, o Luiz Carlos Ferreira e o João Pancada (filho do Neném do Salate) e mais uns doidos de Astolfo Dutra e Conselheiro Lafaiete.
Os Donos da Pensão eram uma família de refugiados portugueses, vindos de Angola para o Brasil, fugidos da guerra civil naquele país. Não me lembro os nomes deles, mas sei que o Luiz Ferreira apelidou a moça, filha da dona, de Genezinha 😀 e me lembro também que a gente gostava muito da comida, porque tinha azeite de oliva de verdade na mesa 😀 - eram portugueses, né!
Um dia o Aluísio, meu irmão, chegou na pensão trazendo uma fita K-7 com a música "Love Hurts", da banda escocesa Nazareth. A gente não tinha toca-fitas e não conhecíamos a música ainda, mas ele não se cansava de repetir que era a música mais linda que já tinha sido lançada no mundo!
No primeiro sábado seguinte, fomos para um boteco na esquina da Araguari com Goitacazes, onde a gente sabia que tinha toca-fitas e o dono colocava nossas fitas pra tocar.
Passamos a tarde inteira bebendo cerveja e ouvindo essa música. De vez em quando o dono do buteco colocava outra música, pra dar uma pausa, mas logo a gente estava lá, enchendo o saco dele pra voltar a repetir "Love Hurts" 😁
No final da tarde, a gente já tava chamando urubu de "meu loiro", quando o Fernando, muito criativamente, inventou a brincadeira de "peneirar copos", que consistia no seguinte: colocávamos vários copos cheios de cerveja na mesa, depois começava-se um vira-vira. Mas cada copo que era esvaziado no glut-glut, era atirado (peneirado) no asfalto, rua abaixo.
O objetivo era ver quem peneirava mais copos e quem fazia os cacos esparramarem mais no asfalto.
Coisas de estudantes adolescentes!!!
...
Hoje vi, na TL do Geraldo Magela, essa espetacular interpretação de "Love Hurts" com a cantora tcheca Gabriela Gunčíková, que me fez lembrar disso tudo, me fez sentir uma saudade imensa do meu irmão Aluísio, que nos deixou há 10 anos, e me emocionou.

Catira

Um dos mais belos estilos da nossa autêntica música sertaneja, infelizmente está caindo no esquecimento e, se continuar assim, poderá se extinguir da nossa cultura muito brevemente.

A Catira, também conhecida em algumas regiões como Cateretê, é um ritmo contagiante e de uma riqueza artística inigualável.

Tem como instrumento principal a viola caipira, com sua sonoridade e harmonia magníficas, marcando o compasso em ritmo Rasqueado.

As letras, sempre com rimas ricas, são típicas poesias caboclas, que falam de engraçadas valentias frustradas do cotidiano sertanejo, namoros platônicos ingênuos e criativas frases de efeito, com a genialidade e o bom humor típicos do homem do campo brasileiro.

A apresentação é acompanhada pela dança, também conhecida pelo mesmo nome de Catira, que consiste num bonito sapateado com palmas sincronizadas no compasso da viola, se alternando com os versos dos cantadores. Tradicionalmente, é uma dança exclusiva de homens, pois no ambiente dos acampamentos de tropeiros, onde ela surgiu, não havia mulheres.

Essa magnífica manifestação do nosso folclore, pode ter surgido ainda na época dos Bandeirantes, mas se consolidou nas comitivas de peões de boiadeiro, que trafegavam levando e trazendo gado e tropa pelos longínquos sertões do Brasil.

O grupo, chamado Companheirada, se reunia depois da entrega do gado no destino ou mesmo em acampamentos de pernoite, para tocar, cantar e dançar.

Era quando se misturavam os caboclos vaqueiros, com seus ajudantes de carga e de cozinha, geralmente de origem africana, além dos guias e batedores, de descendência indígena. Essa mistura de raças, cada qual com suas influências culturais próprias, propiciou a riqueza artística peculiar da Catira.

Os maiores artistas, poetas e cantadores de Catira da era do rádio, ficaram na história dos anos 60 e 70, como Vieira & Vieirinha, Zico & Zeca, Zilo & Zalo, Craveiro & Cravinho e as Irmãs Galvão. Mais recentemente algumas belas peças foram gravadas por Cezar & Paulinho (filhos do Craveiro), Christian & Ralf e Leonardo. Mas parou por aí.

Vasculhando a internet na busca de uma apresentação autêntica, encontrei vários vídeos de danças e coreografias muito estilizadas e um tanto quanto descaracterizadas.

De resto, achei apenas essa relíquia, uma cena do filme Sertão em Festa, de Oswaldo de Oliveira, de 1970, com a participação de Tião Carreiro & Pardinho.


sábado, 17 de junho de 2017

Quocientes de Inteligência Emocional (QIE): Comparativos

Comportamento: Quociente de Inteligência Emocional.
A pesquisa principal, realizada pela Universidade de Michigan, com 15.000 participantes de três Gerações (avós, filhos e netos), durante 22 anos, foi publicada na revista Psicological Science. Detalhes complementares foram extraídos de trabalhos correlatos, indicadas na bibliografia abaixo.
O quadro a seguir destaca, comparativamente, os extremos: mais inteligentes versus menos Inteligentes, ressalvando que a maioria da população está distribuída nos intervalos intermediários da escala de resultados.
Organização
Inteligentes
QI Baixo
Ø São mais bagunçados e aparentemente desorganizados. Não por preguiça, mas porque dão menos importância a aspectos de natureza meramente estética, priorizando a ordem prática e de menor gasto de energia e, também, porque têm melhor capacidade de compreender as aparentes desordens, sem perder tempo em simples arrumações.
Ø Priorizam a estética do ambiente, em detrimento da praticidade, que geralmente é mais complexa e exige mais raciocínio.
Ø Necessitam ter tudo visualmente arrumadinho, para não perder o controle da ordem das coisas.
Ø Não conseguem dimensionar a perda de tempo e energia em arrumações e desarrumações.

Amizades e Relacionamentos afetivos
Inteligentes
QI Baixo
Ø São mais desconfiados e levam mais tempo para consolidar uma nova amizade ou um relacionamento afetivo, pois seus cérebros mais hábeis fazem avaliações complexas do comportamento do outro e prognósticos futuros, antes de formatar o conceito sobre o mesmo. Por isso as amizades e os relacionamentos são mais duradouros.
Ø Formam conceitos precipitados sobre os novos conhecidos, sem consistência ou avaliação prévia. Por isso as amizades e relacionamentos tendem a ser mais frágeis e mais voláteis.

Administração de Conflitos e Tolerância
Inteligentes
QI Baixo
Ø Têm mais autocontrole.
Ø Mantêm-se mais calmos diante de frustrações e adversidades e demoram mais a se irritar.
Ø Mas quando se irritam, xingam mais.
Ø Quando se decepcionam com alguém, costumam cortar definitivamente a relação, às vezes para sempre.
Ø São mais destemidos diante de embates teóricos ou discussões.
Ø Discutem e argumentam falando diretamente para o seu interlocutor, sem rodeios e sem intermediários.
Ø Se irritam e se frustram com mais facilidade.
Ø Discutem e batem mais facilmente e por coisas de menor importância.
Ø Quando brigam, voltam a ficar de bem tão mais rapidamente quanto menor o QI.
Ø Nos debates, usam subterfúgios, disfarçam, mentem, dissimula e omitem a verdadeira posição.
Ø Nas discussões, costumam aliciar e envolver terceiros, preferindo se dirigir a estes para, indiretamente, xingar e combater o verdadeiro adversário, na tentativa de angariar aliados.

Inter Relacionamento e Socialização
Inteligentes
QI Baixo
Ø Buscam empatia.
Ø Tendem a interpretar e avaliar os sentimentos dos outros.
Ø Valorizam a experiência e habilidades do outro, reconhecem e elogiam.
Ø Reavaliam e mudam suas próprias opiniões com facilidade.
Ø Entendem melhor os desníveis intelectuais e cognitivos entre pessoas.
Ø Não ligam se discordam deles e não forçam a isso.
Ø Tendem a expor os próprios sentimentos de forma aberta e franca.
Ø Sempre assumem a autoria das próprias falas.
Ø Ouvem mais do que falam.
Ø Sentem antipatia mais facilmente e reagem de maneira adversa diante de outros.
Ø Priorizam o seu próprio sentimento e tentam mantê-lo em evidência, menosprezando ou ignorando o sentimento dos outros.
Ø Não mudam de opinião facilmente.
Ø Criticam ou não reconhecem as experiências dos outros, às vezes, contrapondo sua experiência semelhante, para suplantar e se mostrar superior.
Ø Tentam forçar os outros a concordarem com eles e tendem a desqualificar quem não concorda.
Ø Não conseguem perceber quando o outro tem mais conhecimento ou é mais inteligente que ele.
Ø Têm medo de dizer a verdade.
Ø Atribuem a autoria do que dizem a um terceiro.
Ø Falam mais do que ouvem.

Auto Julgamento
Inteligentes
QI Baixo
Ø  Admitem seus erros, arcam com as responsabilidades e consequências.
Ø  Veem seus erros como oportunidades de aprendizado.
Ø  Se sentem bem ao receber ensinamentos.
Ø  Quase nunca se arrependem do que fazem
Ø  São menos religiosos e menos suscetíveis às lendas, mitos e fanatismo.
Ø Negam ou justificam seus erros e atribuem as causas ou culpa a fatores externos ou a terceiros.
Ø Costumam recusar ou rebaterem novos ensinamentos.
Ø São mais religiosos e mais vulneráveis a lendas, mitos e fanatismos.

Auto Avaliação e Competitividade
Inteligentes
QI Baixo
Ø Não acham que são superiores a outros.
Ø Reconhecem os valores de outros.
Ø Não observam e mal se importam com aspectos pessoais, como beleza e situação financeira dos outros.
Ø Estão sempre dispostos e têm prazer em ajudar.
Ø Nunca esperam retribuição ou retorno por uma boa ação e preferem não divulgá-la.
Ø Se alegram e celebram o sucesso dos outros.
Ø  Acreditam que os outros os acham inteligentes.
Ø  Creem que sabem mais que outros e que são melhores.
Ø  Vangloriam-se de supostos valores, tais como sinceridade, solidariedade e coragem, que geralmente não possuem.
Ø  Prometem muito, mas raramente cumprem.
Ø  Buscam destacar defeitos e fragilidades de outros, comparando com supostas vantagens que julgam possuir.
Ø  Classificam e qualificam os outros segundo aspectos de raça, opção sexual, beleza ou feiúra e condição financeira.
Ø  Tendem a desprezar os mais pobres e mais feios e a bajular ricos e bonitos ou os que lhes possam ser úteis.
Ø  Se sentem ofendidas ao serem conclamados a ajudar outros, desqualificando o necessitado para justificar sua recusa.
Ø  Tendem a esperar alguma vantagem moral ou material, quando se dispõem a ajudar.
Ø  Fingem ignorar ou criticam o sucesso dos outros, muitas vezes comparando com um caso seu ou de seu amigo próximo, que foi "melhor".
Ø  Irritam-se quando alguém próxima obtém uma conquista importante (“por que ele e não eu?”).

Regime de Sono
Inteligentes
QI Baixo
Ø Vão pra cama mais tarde e dormem menos – entre 5 e 7 horas por noite.
Ø Usam a função "soneca" ao acordarem. Sempre conseguem dar mais uma cochilada antes de se levantar.
Ø Dormem entre 7 e 10 horas por noite.
Ø Acordam e pulam da cama.

Atividades Físicas
Inteligentes
QI Baixo
Ø São aparentemente mais preguiçosos em relação a atividades comuns, pois preferem usar tempo ocioso para exercitar abstrações intelectuais, fazer planos e desenvolver ideias.
Ø Sem interesse e sem habilidades para abstrações intelectuais, necessitam se movimentar para não ficarem de entediados.

* Marcio Almeida é Engenheiro Mecânico e Engenheiro Industrial, Administrador de Empresas, Mestre em Gestão Governamental e Ciência Política, Especialista em Direito Administrativo Disciplinar, pesquisador autodidata em História da Música, História Natural e Sociologia, Nutrologia e Nutrição Esportiva. É Meio-Maratonista, ex Diretor de Auditoria Legislativa e ex Presidente de Processos Disciplinares na Administração Federal Brasileira, MM

Fontes de Pesquisa (Bibliografia de referência)